Hospital Edson Ramalho garante novo lar a idoso internado há dois meses

Na manhã desta terça-feira (16), o Hospital do Servidor General Edson Ramalho viveu um daqueles momentos em que a rotina hospitalar silencia para dar lugar ao afeto. Aos 82 anos, José Henrique deixou o hospital não apenas com a saúde recomposta, mas com um destino acolhedor à sua espera. Entrou para tratar uma insuficiência cardíaca descompensada e uma infecção do trato urinário; saiu levando consigo o carinho de uma equipe inteira e a promessa de novos dias no Lar da Providência Carneiro da Cunha.

Seu José chegou ao hospital no dia 9 de outubro, pela urgência. Dois dias depois, foi internado na Clínica Médica 3 e 4. O tratamento seguiu o rigor técnico: antibióticos por 14 dias, acompanhamento contínuo, novos ciclos quando necessários. Em pouco tempo, o corpo respondeu. “Em cerca de 30 dias, ele já estava apto para receber alta”, lembra a coordenadora de Enfermagem da Clínica Médica, Márcia Germana. O que mantinha seu José ali não era mais a doença, mas uma fragilidade maior, invisível aos exames: a ausência de laços familiares.

Antes de adoecer, José Henrique era movimento. Presença diária no Centro de João Pessoa, no grupo de atividade física do Projeto Caminhar, ligado ao Batalhão da Polícia.

“Ele chegava muito cedo, vinha sozinho de ônibus, dançava, corria, depois ia ao Mercado Central tomar café com os amigos. Conversava, vivia”, recorda Ivanilda da Silva, que passou a cuidar dele após uma queda sofrida em junho. “Dessa queda, ele não teve mais saúde. Hoje é um dia muito feliz, por vê-lo sair daqui bem e indo para o abrigo que ele pediu para estar, ao lado de outros idosos. Ele sente essa necessidade de interagir”, diz.

No hospital, seu José conquistou todos. Sentava-se no posto de enfermagem, conversava com profissionais e pacientes, observava o movimento como quem ainda pertence ao mundo — e pertencia. “Ele chegou sempre sozinho, e a gente apoiou”, conta a enfermeira Renata Thaís.

“Criamos uma relação muito forte. Quando falávamos do abrigo, ele dizia que queria ficar com a gente. Vai deixar o coração da gente partido, mas a gente sabe que lá é o lugar dele agora, onde vai estar bem cuidado e fazer novas amizades.”

A busca por esse lugar, no entanto, exigiu persistência. A assistente social Naymara Carneiro acompanhou cada passo. “Identificamos vínculos familiares frágeis e que o retorno para morar sozinho seria inviável. Acionamos os órgãos de proteção ao idoso e o Ministério Público. Como a demanda é grande, iniciamos uma busca ativa”, explica. Foram visitas, contatos, negativas. Até que o Lar da Providência abriu as portas — primeiro para conhecer seu José, depois para acolhê-lo. “Ele é um querido. Conquistou também a equipe do Lar. Hoje ele vai para um local onde poderá viver com dignidade essa fase tão bonita da vida.”

A despedida traduziu tudo o que não cabe em prontuários. Ao sair do quarto, seu José percorreu um corredor formado espontaneamente por colaboradores do Hospital Edson Ramalho — profissionais que, ao longo de dois meses, cuidaram, ouviram e acolheram. Entre sorrisos e gestos de carinho, ele seguiu rumo à alta hospitalar, ao lado da amiga-cuidadora Ivanilda. Não era apenas uma transferência: era a celebração de um final feliz, compartilhado por quem teve a alegria de fazer parte da sua história.

Seu José resume tudo com a simplicidade que sempre o acompanhou.


“Eu sou muito simples e preciso de pouca coisa para ser feliz. Sou muito grato a todos que cuidaram de mim. Deus abençoe cada um. Hoje é um dia muito feliz na minha vida”, disse, emocionado, antes de deixar o hospital.

Para ele, começa um novo capítulo. Não mais entre leitos e medicamentos, mas entre conversas tranquilas, novos amigos e o direito de envelhecer com cuidado.

 

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